Entenda porque os preços dos alimentos estão subindo tanto!
Por que os preços dos
alimentos estão subindo tanto? A primeira e principal razão é a demanda. Desde
o início da quarentena, a busca por alimentos nos supermercados subiu por medo
do desabastecimento, o que gerou uma corrida dos consumidores para fazer
estoques. Agora o que se percebe é que as pessoas estão fazendo compras mais
volumosas, para evitar várias idas ao supermercado, por medo da COVID-19.
A pandemia também mudou os
hábitos alimentares dos brasileiros. O isolamento criou a necessidade de se
fazer mais refeições em casa.
Além disso, a concessão
do auxílio emergencial a dezenas de milhões de brasileiros elevou, de modo
geral, o poder compra dos cidadãos, que estão priorizando a aquisição de itens de
primeira necessidade, sobretudo comida. O aumento da demanda tende a fazer com
que os preços subam. Essa é uma das regras de ouro de uma economia de mercado
como a brasileira.
Mas é só a demanda? Não.
Outro ponto importante é a paralisação de diversas atividades econômicas.
Embora os supermercados estejam funcionando, por serem considerados um serviço
essencial, os canais de produção e distribuição podem ter “quebras”. Um exemplo
são os pequenos produtores que deixam de plantar, com medo de não ter para quem
fornecer. Além disso, há o período de entressafra, quando há uma queda natural
da produção.
Outro ponto sensível é a
cotação do dólar. Antes de a pandemia do coronavírus começar, o efeito do
câmbio não estava sendo repassado para os produtos, por causa do ritmo lento da
economia. Os fornecedores absorviam parte do aumento e diminuíam as margens,
por receio de uma elevação de preços deprimir o consumo.
Agora, como a demanda por
alimentos está alta, o efeito do câmbio tem sido repassado integralmente para
os consumidores. O dólar, dizem especialistas, tem esse efeito cumulativo — em
algum momento ele irá pressionar a inflação. Nos alimentos, não há restrição de
repasse de margem, porque eles são um bem essencial, ou seja, o consumidor pode
abrir mão de tudo, menos de comer.
Embora o Brasil deva ter
uma das maiores safras de grãos da história em 2020, o dólar também mexe com os
preços dos produtos que plantamos localmente. Dois bons exemplos são o milho e
a soja. Esses grãos são insumos para a ração de suínos, bovinos e aves. O
encarecimento do alimento desses animais acaba chegando também ao preço das
carnes.
Além do efeito indireto,
que aparece no preço das carnes, há ainda o efeito direto. O trigo, também
cotado no mercado externo, tem ficado mais caro, o que leva os preços dos pães,
bolos e biscoitos para o alto.
A cotação do petróleo,
que caiu para mínimas históricas nos primeiros meses de pandemia, voltou a se
recuperar. Isso faz com que os combustíveis deixem de contribuir para a
deflação.
A pandemia também atingiu
outros países que compram grandes quantidades de commodities alimentares do
Brasil. A produção de grãos e carnes em países como a China caiu e por fatores
parecidos com os descritos acima, o consumo aumentou. O dólar em alta torna os
produtos do agronegócio mais baratos lá fora e é mais lucrativo para quem
produz exportar, reduzindo a oferta interna em um período de aumento da demanda
por consumo no mercado interno. O resultado é aumento de preços.
*Com informações de 6minutos.uol.com.br
O presidente Jair
Bolsonaro afirmou na última terça-feira (8) que medidas estão sendo tomadas
pelos Ministérios da Economia e da Agricultura para dar uma resposta à alta dos
preços dos alimentos. Ele apelou aos supermercados para que diminuam margens de
lucro.
Acontece nesta
quarta-feira, 9, às 14 horas, em Brasília, uma reunião da presidência da
Associação Brasileira de Supermercados (Abras) com a equipe econômica do
governo. O assunto é a elevação dos preços de produtos básicos. A alta de itens
como arroz, farinha de trigo, açúcar, frango, carne bovina, suína e óleo de
soja já supera os 20% nos últimos 9 meses até agosto. A Abras recentemente publicou
nota alertando para a subida de preços em razão das altas exportações, somadas
ao aquecimento da demanda interna com o Auxílio Emergencial. A reunião acontece
depois de uma semana movimentada no setor.
A entidade afirmou, em
comunicado na sexta-feira, dia 11, que orienta os associados a comprarem dos
fornecedores apenas o necessário, incentivando a negociação de preços.

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