Supermercados já limitam venda de produtos básicos em Fortaleza
Algumas das redes de
supermercados de Fortaleza iniciaram a limitação de venda de produtos como
arroz, feijão, óleo de soja e leite longa vida. Com preços em alta e com baixa
oferta nos estoques, as empresas estão impondo limites para vendas para um
mesmo cliente para controlar a distribuição.
O POVO esteve em
comércios na Cidade e, no Carrefour no bairro Joaquim Távora, o cliente só pode
comprar até 10 Kg de arroz. A venda de feijão (cinco unidades), óleo de soja
(cinco unidades) e leite longa vida (24 unidades) também está sendo controlada.
O mesmo ocorre no Cometa da avenida Oliveira Paiva, na Cidades dos
Funcionários, com o arroz e o óleo de soja.
O POVO apurou que para
repor os estoques, os empresários já estão fazendo pré-compra de arroz. Com
isso, o valor do produto no mercado deve continuar instável até que inicie a
próxima safra, no início de 2021. O mesmo acontece com a soja.
Produtos básicos da
alimentação, o arroz e o feijão enfrentam altas acumuladas de 22,6% e 41%,
respectivamente, no ano, segundo o IBGE. Na média, pela ordem, os produtos são
comercializados a R$ 4,80 e R$ 6,50, enquanto o óleo de soja passa dos R$ 6,30.
Para o presidente do
Sindicato das Indústrias de Alimentação do Estado do Ceará (Sindialimentos-CE),
André Siqueira, a pressão sobre os preços dos alimentos ainda é efeito da fase
mais grave da pandemia, com altas na cadeia de consumo do setor desde a
retomada da indústria.
"O ruim é que são
produtos da cesta básica. E isso é prejudicial principalmente para as família
de renda mais baixa e os aumentos já impactam muito o poder de compra",
observa. André ainda cobra repressão dos órgãos de defesa dos consumidores
sobre "aproveitadores" que usam o momento para aumentarem os preços
mais do que o razoável.
Além do maior consumo de
produtos no mercado interno, puxado pela alimentação domiciliar, a destinação
de produtos para o mercado externo aumentou. A pressão sobre o preço do produto
no mercado nacional também pode ser explicado pela alta exportação. No caso do
arroz, o preço da saca de 50 kg deu um salto no mês, passando de R$ 73 no dia
11 a R$ 94 no fim de agosto, de acordo com boletim do Centro de Estudos
Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As exportações somaram alta 98% do que
em agosto de 2019.
Gustavo Bertolli,
economista da Messem Investimentos, analisa que o problema é pontual "até
a reorganização da oferta". "O negativo é que essa pressão
inflacionária afeta diretamente a renda do consumidor".
Nesta semana, o
presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Gerardo Vieira,
informou ao O POVO, que os comércios estão segurando os preços de custo para
evitar mais aumentos, mas para evitar "espertalhões" que querem
revender, trabalham com "estoque regulador".
O POVO também apurou que
os avisos nas gôndolas do Cometa são uma ação pontual, que pode variar por loja
a depender da oferta do estoque e avaliação do gerente.
Em nota, o Carrefour
informa que o grupo está mobilizado "para que itens essenciais da cesta
básica estejam disponíveis para os brasileiros a preços justos". A
limitação serve para que as lojas possam atender ao maior número de clientes
com os itens básicos em baixa no estoque.
O Povo

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